Direitos Reservados - LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998, Citar fontes

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Pesquisa indica que uso de avatares ajuda a tratar esquizofrenia

Uma pesquisa britânica indica que o uso de avatares pode ajudar no tratamento de pacientes esquizofrênicos, que escutam vozes.
O estudo, divulgado na publicação científicaBritish Journal of Psychiatry e conduzido por uma equipe da University College London, se concentrou em pacientes que não responderam à medicação padrão usada para tratar da doença.


Depois de seis sessões de terapia, quase todos os 16 pacientes que terminaram o tratamento disseram que as vozes melhoraram, e três deles disseram que as vozes pararam completamente.Os pacientes criaram avatares, escolhendo um rosto e uma voz que combinavam com as vozes dentro de suas cabeças.

Confrontando

O estudo, liderado pelo psiquiatra e professor emérito da University College London, Julian Leff, comparou 14 pacientes que se submeteram à terapia com avatares com 12 pacientes que receberam a medicação antipsicótica padrão e tiveram sessões ocasionais de terapia.
Mais tarde os pacientes do segundo grupo também se submeteram à terapia com avatares.
Leff falou com os pacientes por meio de seus avatares em sessões de terapia. Aos poucos, ele treinou os pacientes a confrontar as vozes.
"Eu incentivo o paciente dizendo: você não pode aceitar isso, você deve dizer ao avatar que o que ele, ou ela, está dizendo é um absurdo, que você não acredita nessas coisas, e que ele, ou ela, deve ir embora, e deixá-lo em paz. Você não precisa desse tormento," disse Leff.
"Gradualmente o avatar muda de atitude dizendo, 'tudo bem, vou te deixar em paz. Eu sei que tornei sua vida muito infeliz, como posso te ajudar?' E então começa a incentivá-los a fazer coisas que podem melhorar suas vidas," contou Leff.
No final do tratamento, os pacientes disseram que ouviam as vozes com menos frequência e que não ficavam mais tão perturbados com elas. Os níveis de depressão e os pensamentos suicidas também diminuíram, o que é particularmente relevante em um grupo de pacientes onde um em dez tenta o suicídio.

Alta taxa de abandono

O fato de apenas 16 dos 26 pacientes terem completado o tratamento foi atribuído pelos pesquisadores ao medo incutido pelas vozes que os pacientes escutam, algumas das quais "ameaçaram" ou "intimidaram" os pacientes a deixar a terapia.
Novas opções de tratamento foram aceitas por um em cada quatro pacientes com esquizofrenia que não respondem à medicação. A terapia cognitiva comportamental pode ajudá-los a lidar com as vozes, mas não costuma aliviá-las.
Um estudo maior, com 142 pacientes, está previsto para começar no mês que vem em colaboração com o Instituto de Psiquiatria do King’s College London.
O Professor Thomas Craig, que vai conduzir o estudo maior, disse: "A beleza da terapia com avatar é sua simplicidade e coragem. A maioria das terapias para esse tipo de doença é cara e demorada."
"Se nós mostrarmos que este tratamento é eficaz, esperamos que ele esteja amplamente disponível no Reino Unido em apenas dois anos. A tecnologia básica usada no tratamentos está bem desenvolvida, e muitos profissionais de saúde mental já têm as habilidades terapeuticas necessárias para aplicá-lo."

Autora:Lorna Stewart

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Psicólogos não podem aplicar acupuntura em pacientes, decide STJ


Determinação reforça sentença anterior do Tribunal Regional Federal.
Resolução de 2002 do Conselho Federal de Psicologia autorizava prática.


A 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que os psicólogos do país não podem usar acupuntura como técnica complementar ao tratamento de pacientes. A decisão, tomada em abril, destaca que a prática não está prevista na lei que regulamenta a profissão.
A determinação do STJ reforça uma sentença do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que anulou uma resolução de 2002 do Conselho Federal de Psicologia (CFP), responsável por ampliar a atuação dos psicólogos e autorizar a aplicação da acupuntura.
Segundo o STJ, as competências da categoria já estão fixadas em uma lei de 1962, que inclui o uso de métodos psicológicos para diagnóstico, orientação e seleção profissional, orientação psicopedagógica e solução de problemas de ajustamento.
O CFP vai recorrer da decisão e argumenta que não existe uma lei federal que regulamente o exercício da acupuntura nem a aplicação dela exclusivamente por médicos.
Segundo o ministro do STJ e relator do processo, Napoleão Nunes Maia Filho, realmente no Brasil não há legislação que proíba determinados profissionais da área da saúde de praticarem a acupuntura, mas não é possível deduzir, a partir desse "vácuo normativo", que os psicólogos sejam autorizados a isso.
Para Maia Filho, a acupuntura é idêntica a um procedimento médico minimamente invasivo. E, na avaliação dos ministros do STJ, apenas uma alteração na lei poderia ampliar a competência dos psicólogos.
Desde 2003, o Conselho Federal de Medicina (CFM) reconhece a acupuntura como uma especialidade médica. Segundo informou no site do CFM o médico Fernando Genschow, da Câmara Técnica de Acupuntura do conselho, o método pode ser ineficaz se for aplicado superficialmente e até perigoso, caso seja executado de maneira errada, podendo perfurar vasos sanguíneos e causar lesões ao sistema nervoso. De acordo com Genschow, cerca de 12 mil médicos brasileiros têm especialização nessa área.

CRP X "Cura Gay"


Conselho e governo criticam discussão sobre ‘cura gay’ Projeto que vai a votação em comissão acaba com veto à ação de psicólogos que veem a homossexualidade como uma doença
Julia Duailibi – O Estado de S. Paulo
O Conselho Federal de Psicologia e o governo reagiram ontem à decisão do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) de colocar o chamado “projeto de cura gay” em votação no plenário da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.
O Projeto de Decreto Legislativo 234/11, de autoria do deputado João Campos (PSDB-GO), anula parte do artigo 3.º e todo o artigo 4.º de uma resolução interna do conselho de psicologia de 1999. Esses trechos da resolução condenam a atuação de psicólogos na tentativa de “curar” homossexuais. O projeto de Campos deve ser votado na semana que vem.
Os trechos da resolução aos quais se refere o projeto afirmam que “os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura da homossexualidade” e “não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica”.
O projeto de Campos diz que a resolução do conselho de psicologia, “ao restringir o trabalho dos profissionais e o direito da pessoa de receber orientação profissional, por intermédio do questionado ato normativo, extrapolou o seu poder regulamentar”.
O conselho questionou o argumento de Campos ao dizer que os trechos da resolução qualificam a atuação do profissional e coíbem o surgimento das “terapias de reversão”, que propõem a cura da homossexualidade. “Essa resolução é um marco e representa um obstáculo concreto ao avanço das terapias de reversão”, disse a vice-presidente do conselho, Clara Goldman, para quem o tratamento “carece de justificativa científica e é eticamente inaceitável”. “Existem grupos que dizem que a orientação sexual pode ser revertida. Mas funcionam ao arrepio da resolução. No momento em que parte da resolução cair, não haverá obstáculos éticos e técnicos para o avanço dessas terapias e das propostas de cura da homossexualidade.”
Para Gustavo Bernardes, coordenador-geral de Promoção dos Direitos da População LGBT, da Secretaria de Direitos Humanos, a supressão de trechos da resolução “abre espaço para a volta de uma questão que já está superada há muito tempo”, que seria o tratamento da homossexualidade como doença.
Bernardes questionou o que chama de “intromissão” do Legislativo “numa questão que é de competência do CFP” e disse discordar do argumento de Campos de que a resolução restringe a ação de psicólogos e o direito do paciente de receber orientação profissional. “Apoiamos um trabalho por parte do profissional de psicologia para que a pessoa aceite sua orientação sexual e a identidade de gênero e evite complicações, como os sofrimentos psíquicos”. Procurados, Feliciano e Campos não se manifestaram.

Segue abaixo, a resolução 001/1999.

Resolução CFP Nº 001/1999, de 22 de março de 1999.



Ementa: estabelece normas de atuação para os psicólogos
em relação à questão da Orientação Sexual.
Conselho Federal de Psicologia, no uso de suas atribuições legais e regimentais, Considerando que o psicólogo é um profissional da saúde;
Considerando que na prática profissional, independentemente da área em que esteja atuando, o psicólogo é freqüentemente interpelado por questões ligadas à sexualidade;
Considerando que a forma como cada um vive sua sexualidade faz parte da identidade do sujeito, a qual deve ser compreendida na sua totalidade;
Considerando que a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão;
Considerando que há, na sociedade, uma inquietação em torno de práticas sexuais desviantes da norma estabelecida sócio-culturalmente;
Considerando que o Psicólogo pode e deve contribuir com seu conhecimento para o esclarecimento sobre as questões da sexualidade, permitindo a superação de preconceitos e discriminações;
Resolve:
Art. 1º Os psicólogos atuarão segundo os princípios éticos da profissão notadamente aqueles que disciplinam a não-discriminação e a promoção e bem-estar das pessoas e da humanidade.
Art. 2º Os psicólogos deverão contribuir, com seu conhecimento, para uma reflexão sobre o preconceito e o desaparecimento de discriminações e estigmatizações contra aqueles comportamentos ou práticas homoeróticas.
Art.3º Os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados. 

Parágrafo Único - 
Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades.
Art. 4º Os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.
Art. 5º Esta Resolução entre em vigor na data de sua publicação.
Art. 6º Revogam-se todas as disposições em contrário.

terça-feira, 30 de abril de 2013

18 de Maio: Dia Nacional da Luta Antimanicomial - Tema da campanha deste ano é "Se não nos deixam sonhar, não os deixaremos dormir".


O Dia Nacional da Luta Antimanicomial, comemorado em 18 de maio, representa a reivindicação antiga de profissionais da Psicologia, familiares e militantes que defendem mudanças no modelo de atenção à saúde mental no Brasil. Este ano, o tema da campanha é “Se não nos deixam sonhar, não os deixaremos dormir”.
Para o Conselho Federal de Psicologia (CFP), é necessário reafirmar os valores e princípios da Reforma Psiquiátrica Brasileira no que diz respeito aos ideais de ampliação da esfera pública e de transformação social que motivaram essa importante conquista da sociedade brasileira.
Infelizmente, as políticas de saúde mental no Brasil estão sendo ameaçadas por projetos de lei que prevêem o retorno de um modelo de intervenção amplamente criticado por profissionais, pesquisadores e movimentos sociais, que, além de excluir, desumaniza.
Para a conselheira federal Heloisa Massanaro, é necessário reafirmar a liberdade como direito. “O tema deste ano é muito significativo, pois reafirma o nosso sonho de liberdade e aquele que não respeitar será incomodado. É um grito de guerra, de luta e de cidadania”, destacou.
O CFP defende a Política Nacional de Saúde Mental amparada pela Lei nº 10.216 que garante o acesso aos usuários com transtornos mentais aos serviços disponíveis na rede pública de saúde mental. E se posiciona contra a decisão do governo em adotar a internação compulsória como principal dispositivo de tratamento aos usuários de álcool e outras drogas em instituições fechadas de caráter privado e religioso, como, por exemplo, as comunidades terapêuticas.
Além disso, o CFP valoriza a construção histórica dentro do SUS de experiência efetivas de cuidado através da rede pública que estão sendo negligenciadas em função de interesses privados.
Dia de luta
O Dia Nacional da Luta Antimanicomial foi instituído após profissionais da saúde mental, cansados do tratamento desumano e cruel dado a usuários do sistema de saúde mental, organizarem o primeiro manifesto público a favor da extinção dos manicômios durante o II Congresso Nacional de Trabalhadores da Saúde Mental realizado em 1987, na cidade de Bauru/SP.  Naquela manifestação, nasceu o Movimento Antimanicomial.

Fonte: CRP

domingo, 28 de abril de 2013

A PSICOLOGIA E A “CURA” DA HOMOSSEXUALIDADE



Autor: Anselmo de Lima Chaves
Psicólogo membro do GT de Combate à Homofobia no CRP 03 - BA 


Quando o psicólogo recebe alguém que, dizendo buscar a “cura” da homossexualidade, afirma sofrer ou sentir muita angústia com o desejo por outras pessoas do mesmo sexo, ele não poderá, em sua prática, partir do pressuposto de que o desejo pelo mesmo sexo é, em si, algo doloroso ou angustiante, e muito menos uma doença da qual se pode obter uma cura – do contrário estará assumindo um preconceito, no sentido explícito do termo: conceito prévio, sem qualquer reflexão sobre ele. Um psicólogo que parte de preconceitos, a rigor, pratica, se nos é permitido assim nos expressarmos, uma pré-psicologia. Nesse sentido, é imperativo profissional que ele deve, antes de tudo, refletir sobre a demanda de cura do desejo homossexual perguntando ao outro o que há de tão doloroso e angustiante em desejar outra pessoa do mesmo sexo, já que é possível encontrar, em outros lugares e em outros tempos, outras pessoas com o mesmo desejo, mas sem qualquer dor ou angústia por isso - e sem qualquer sentimento de terem alguma doença.
 
Assim, se um psicólogo não pergunta pelo motivo ou razão do sujeito e, abrindo sua “gaveta de ferramentas”, vai prontamente aplicando suas “técnicas psicológicas”, ele está oferecendo um serviço de maneira cega, reduzindo a sua prática a um ato predominantemente técnico, não-reflexivo, como se trabalhasse num universo puramente natural, biológico ou mecânico, caracterizado pela necessidade, e que não envolvesse justamente um mundo que abarca um conjunto de elementos sócio-culturais, caracterizado pela arbitrariedade, como são os valores sociais. Para que ele ofereça um serviço com o mínimo de crítica, e, com isso, previna-se de estar, sem o saber ou sem perceber o perigo, a serviço dos valores estabelecidos numa sociedade, deve superar a teologia e a metafísica partindo da lúcida consideração de que não existem valores e normas eternos, desde sempre criados, para além da realidade humana, e, sim, valores e normas inventados, construídos num determinado espaço e num determinado tempo a partir da relação de determinados poderes condicionados socialmente.
 
À medida que escuta, o psicólogo pode identificar quais são os elementos sócio-culturais em jogo e oferecer os conhecimentos que dispõe sobre eles, de modo a possibilitar uma reflexão da pessoa sobre a sua própria demanda. Para que, de fato, realize aquilo que é, de direito, sua competência, de modo que venha a, realmente, cuidar do outro, ele não pode, assim, dispensar todos os importantes e probos conhecimentos fornecidos pelas chamadas ciências humanas, seja a história, a sociologia e a antropologia, entre outras - e muito menos a filosofia, que o educa na reflexão rigorosa e moderação cautelosa, além da arte, que lhe desenvolve a capacidade de assimilar e transformar todas as suas experiências e conhecimentos adquiridos em uma unidade criativa e revigorante. Isso exige que o psicólogo esteja livre de preconceitos, ou seja, de conceitos pré-concebidos ou irrefletidos, desvinculado de qualquer dogmatismo e, principalmente, de qualquer obscurantismo religioso – do contrário, seu título de psicólogo não será mais que um disfarce para encobrir que, no fundo, não busca o cuidado da vida psíquica de quem o procura por ajuda, mas, em nome do Bem, do Ser, da Verdade, de Deus ou de algum modelo social hegemônico de normalidade, a correção do outro, cultivando-lhe no terreno de seus desejos por pessoas do mesmo sexo, a erva daninha da má consciência e da culpa, promovendo, assim, ao invés de saúde, doença psíquica - sob a forma, no mínimo, da depressão.
 
A resolução CFP 001/99 de 22 de março não priva a quem queira deixar a homossexualidade da assistência de um psicólogo, mas, “considerando que a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão”, estabelece que os psicólogos, como está no artigo 4º, não devem colaborar “com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades”. O psicólogo deve promover o bem-estar das pessoas, mas isso não quer dizer que, diante de um mal-estar devido à má-consciência de alguém sobre o próprio desejo homoerótico, ele deva ajudar a acabar com o desejo – tal como um dentista, e, talvez, um mau dentista, que acaba com uma dor de dente arrancando-o - mas, sim, com a má-consciência – o que não significa também estabelecer e fixar na pessoa uma identidade homossexual. A resolução não obriga o psicólogo, dessa maneira, a negar assistência a quem procure a “cura” da homossexualidade, mas, como está no artigo 2º, “contribuir, com seu conhecimento, para uma reflexão sobre o preconceito e o desaparecimento de discriminações e estigmatizações contra aqueles que apresentam comportamentos ou práticas homoeróticas” – e inclusive contra a própria pessoa (a chamada “homofobia interna”).
 
Se poderíamos falar de “cura” enquanto resolução de um problema, talvez fosse também adequado, nesse sentido, dizer que, se o psicólogo deve curar alguém ou uma sociedade de algo, esse algo seria o heterossexismo ou heterocentrismo, a crença, sem fundamento científico, de que só a relação heterossexual, entendida como relação entre pessoas de sexos diferentes, é universalmente válida, desejável e aceitável, idéia que gera preconceito, discriminação e intolerância sobre os que seguem práticas sexuais desviantes da norma estabelecida histórico-sócio-culturalmente, e produz, com isso, mal-estar, dor e sofrimento.
 
O psicólogo, assim, em resumo, deve prestar assistência ofertando não um tratamento para a “cura” do desejo por outras pessoas do mesmo sexo, mas, sim, seu conhecimento (científico), de modo a possibilitar uma reflexão da pessoa sobre a sua própria demanda e, então, eliminar não o desejo homoerótico (se isso fosse, de fato, a nível inconsciente, possível), mas a má-consciência sobre esse desejo.
 
No entanto, naquilo que compete à formação do psicólogo, a resolução CFP 01/99, para ser teoricamente garantida, pressupõe que os cursos de psicologia ofereçam, de fato, tal conhecimento, proporcionando discussões e reflexões referentes à diversidade sexual, papéis de gênero e homofobia. Até o momento, não verificamos isso acontecer, pelo menos até onde nossa vista alcança, senão por parte de audazes estudantes que, percebendo essa lacuna na formação, buscam por meios próprios, através da organização de eventos, suscitar o debate e a reflexão no meio acadêmico. A eles e a todo o movimento gay, entre heterossexuais, homossexuais, bissexuais, travestis, lésbicas, transexuais, transversais, indefinidos, inominados e confusos, nosso sincero agradecimento.
 
De todo modo, sugerimos a leitura de alguns livros que podem, pra começo de conversa, possibilitar ao psicólogo que não teve a mínima formação sobre a questão da orientação sexual, a começar a refletir e ajudar, com os conhecimentos neles contido, aquele ou aquela que o procura para a “cura” da homossexualidade - ou que, porventura, venha a procurá-lo nesse sentido -, a refletir, com fundamento científico, que não é anormal desejar o sexo igual:
 
História da Sexualidade, de Michel Foucault (Graal).
Devassos no Paraíso: a Homossexualidade no Brasil, da Colônia à Atualidade, de João Silvério Trevisan (Record)
Homossexualidade: Mitos e Verdades, de Luiz Mott (GGB)
O que é homossexualidade?, de Peter Fry e Edward McRae (Zahar)
Os fundamentos do Sexo Espartano, de Ricardo Líper (RCP)
   Um corpo estranho: ensaio sobre sexualidade e teoria queer, Guacira Lopes Louro (Autêntica)
 

Todo bom começo.... tem um.... professor




A educação brasileira vista hoje como antagonista perpassa por um caminho de difícil conciliação entre realidade e ideal. Propondo uma reflexão para os problemas inerentes a educação, deve-se lembrar que seu processo no patamar público, talvez com o slogan “educação para todos”, se deu entre os anos 70 e 80, pautado nas bases do positivismo ortodoxo. Atualmente, os processos educacionais vêem sendo analisados e revistos em sua completude, visto que, com a ascensão da globalização o país precisa se adaptar ás novas exigências do mercado. A educação ainda é um processo elitizado socialmente, mesmo havendo um incentivo financeiro por parte do Estado, apenas uma parcela daqueles que entrarem nas séries iniciais chegarão ao ensino superior, e o pior, apenas uma parcela desse montante será considerada alfabetizada, enquanto que a outra ficará entre o analfabetismo funcional e o analfabetismo rudimentar. Ora, as políticas públicas visão o alicerce básico para uma educação para todos com uma base conceitual única validada para todo o espaço nacional,  mas a falta de condições de horizontalidade  permitem que o ensino chegue a alguns de forma plena, enquanto que a outros de forma desfocal, consequência esperada: os grandes centros formarão cidadãos enquanto que os periféricos formarão apenas humanos, como diria Neitzche, rebanho. A educação ainda percorre os dogmas aristotélicos de que alguns nasceram para mandar e outros para obedecerAlguns possuem vontade própria e outros dependem da vontade de outros.
Quando pensamos em educação automaticamente ligamos a instituição Escola, que por sua vez nos dá a noção de que essa possui como única função: ensinar a ler e a escrever. Parece ser um processo simples, olhado pelo prisma daquele que consegue ler este texto, mas que em outro ângulo denota incompreensão. As neopolíticas de educação, pautadas no universo capitalista, transferem para a escola a função ilusória de salvação civil, que por sua vez transfere para o aluno a função "autodidata" de aprendizagem, mesmo sem que esse não possua uma estrutura física quanto conceitual para essa façanha, ao contrário da-se algumas "gorjetas" como meio de "incentivo", uma vez que apenas num país subdesenvolvido ser estudante é forma de classificação funcional nos cadastros gerais. Estudar, tornou-se uma obrigação empregatícia, ao qual muitos preferem depender dos fundos do governo, a se desenvolverem e fazer do Estado um dependedor. Essa seria a forma mais completa de pão e circo.
A estagnação do ensino no país é pragmática. O eixo central de uma escola é sem dúvida o professor. Mesmo com a ascensão de politicas de nivelamento nas relações aluno-professor, vê-se uma dependência da parte que necessita (aluno) para aquela que está ali - é o que se espera, ou esperava - , para sanar essa necessidade (professor). Somos seres capitais crentes na teoria da fortuna, e, acreditando nessa teoria de "prosperidade" nos deparamos com um professor se vê a mercê de uma desvalorização capital para as suas funções, um desrespeito pessoal e intelectual. E por sua vez, nos deparamos com alunos sendo produto dessa insatisfação. É uma espécie de efeito dominó, que não há culpados diretos, uma espécie de "quadrilha" sem um único chefe. A educação deixou de ser um problema somente social passando a ser individual. Todos são culpados, até porque, como diria a publicidade política:"Todo bom começo tem um ... professor".