Direitos Reservados - LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998, Citar fontes

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Pesquisa indica que uso de avatares ajuda a tratar esquizofrenia

Uma pesquisa britânica indica que o uso de avatares pode ajudar no tratamento de pacientes esquizofrênicos, que escutam vozes.
O estudo, divulgado na publicação científicaBritish Journal of Psychiatry e conduzido por uma equipe da University College London, se concentrou em pacientes que não responderam à medicação padrão usada para tratar da doença.


Depois de seis sessões de terapia, quase todos os 16 pacientes que terminaram o tratamento disseram que as vozes melhoraram, e três deles disseram que as vozes pararam completamente.Os pacientes criaram avatares, escolhendo um rosto e uma voz que combinavam com as vozes dentro de suas cabeças.

Confrontando

O estudo, liderado pelo psiquiatra e professor emérito da University College London, Julian Leff, comparou 14 pacientes que se submeteram à terapia com avatares com 12 pacientes que receberam a medicação antipsicótica padrão e tiveram sessões ocasionais de terapia.
Mais tarde os pacientes do segundo grupo também se submeteram à terapia com avatares.
Leff falou com os pacientes por meio de seus avatares em sessões de terapia. Aos poucos, ele treinou os pacientes a confrontar as vozes.
"Eu incentivo o paciente dizendo: você não pode aceitar isso, você deve dizer ao avatar que o que ele, ou ela, está dizendo é um absurdo, que você não acredita nessas coisas, e que ele, ou ela, deve ir embora, e deixá-lo em paz. Você não precisa desse tormento," disse Leff.
"Gradualmente o avatar muda de atitude dizendo, 'tudo bem, vou te deixar em paz. Eu sei que tornei sua vida muito infeliz, como posso te ajudar?' E então começa a incentivá-los a fazer coisas que podem melhorar suas vidas," contou Leff.
No final do tratamento, os pacientes disseram que ouviam as vozes com menos frequência e que não ficavam mais tão perturbados com elas. Os níveis de depressão e os pensamentos suicidas também diminuíram, o que é particularmente relevante em um grupo de pacientes onde um em dez tenta o suicídio.

Alta taxa de abandono

O fato de apenas 16 dos 26 pacientes terem completado o tratamento foi atribuído pelos pesquisadores ao medo incutido pelas vozes que os pacientes escutam, algumas das quais "ameaçaram" ou "intimidaram" os pacientes a deixar a terapia.
Novas opções de tratamento foram aceitas por um em cada quatro pacientes com esquizofrenia que não respondem à medicação. A terapia cognitiva comportamental pode ajudá-los a lidar com as vozes, mas não costuma aliviá-las.
Um estudo maior, com 142 pacientes, está previsto para começar no mês que vem em colaboração com o Instituto de Psiquiatria do King’s College London.
O Professor Thomas Craig, que vai conduzir o estudo maior, disse: "A beleza da terapia com avatar é sua simplicidade e coragem. A maioria das terapias para esse tipo de doença é cara e demorada."
"Se nós mostrarmos que este tratamento é eficaz, esperamos que ele esteja amplamente disponível no Reino Unido em apenas dois anos. A tecnologia básica usada no tratamentos está bem desenvolvida, e muitos profissionais de saúde mental já têm as habilidades terapeuticas necessárias para aplicá-lo."

Autora:Lorna Stewart

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Psicólogos não podem aplicar acupuntura em pacientes, decide STJ


Determinação reforça sentença anterior do Tribunal Regional Federal.
Resolução de 2002 do Conselho Federal de Psicologia autorizava prática.


A 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que os psicólogos do país não podem usar acupuntura como técnica complementar ao tratamento de pacientes. A decisão, tomada em abril, destaca que a prática não está prevista na lei que regulamenta a profissão.
A determinação do STJ reforça uma sentença do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que anulou uma resolução de 2002 do Conselho Federal de Psicologia (CFP), responsável por ampliar a atuação dos psicólogos e autorizar a aplicação da acupuntura.
Segundo o STJ, as competências da categoria já estão fixadas em uma lei de 1962, que inclui o uso de métodos psicológicos para diagnóstico, orientação e seleção profissional, orientação psicopedagógica e solução de problemas de ajustamento.
O CFP vai recorrer da decisão e argumenta que não existe uma lei federal que regulamente o exercício da acupuntura nem a aplicação dela exclusivamente por médicos.
Segundo o ministro do STJ e relator do processo, Napoleão Nunes Maia Filho, realmente no Brasil não há legislação que proíba determinados profissionais da área da saúde de praticarem a acupuntura, mas não é possível deduzir, a partir desse "vácuo normativo", que os psicólogos sejam autorizados a isso.
Para Maia Filho, a acupuntura é idêntica a um procedimento médico minimamente invasivo. E, na avaliação dos ministros do STJ, apenas uma alteração na lei poderia ampliar a competência dos psicólogos.
Desde 2003, o Conselho Federal de Medicina (CFM) reconhece a acupuntura como uma especialidade médica. Segundo informou no site do CFM o médico Fernando Genschow, da Câmara Técnica de Acupuntura do conselho, o método pode ser ineficaz se for aplicado superficialmente e até perigoso, caso seja executado de maneira errada, podendo perfurar vasos sanguíneos e causar lesões ao sistema nervoso. De acordo com Genschow, cerca de 12 mil médicos brasileiros têm especialização nessa área.

CRP X "Cura Gay"


Conselho e governo criticam discussão sobre ‘cura gay’ Projeto que vai a votação em comissão acaba com veto à ação de psicólogos que veem a homossexualidade como uma doença
Julia Duailibi – O Estado de S. Paulo
O Conselho Federal de Psicologia e o governo reagiram ontem à decisão do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) de colocar o chamado “projeto de cura gay” em votação no plenário da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.
O Projeto de Decreto Legislativo 234/11, de autoria do deputado João Campos (PSDB-GO), anula parte do artigo 3.º e todo o artigo 4.º de uma resolução interna do conselho de psicologia de 1999. Esses trechos da resolução condenam a atuação de psicólogos na tentativa de “curar” homossexuais. O projeto de Campos deve ser votado na semana que vem.
Os trechos da resolução aos quais se refere o projeto afirmam que “os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura da homossexualidade” e “não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica”.
O projeto de Campos diz que a resolução do conselho de psicologia, “ao restringir o trabalho dos profissionais e o direito da pessoa de receber orientação profissional, por intermédio do questionado ato normativo, extrapolou o seu poder regulamentar”.
O conselho questionou o argumento de Campos ao dizer que os trechos da resolução qualificam a atuação do profissional e coíbem o surgimento das “terapias de reversão”, que propõem a cura da homossexualidade. “Essa resolução é um marco e representa um obstáculo concreto ao avanço das terapias de reversão”, disse a vice-presidente do conselho, Clara Goldman, para quem o tratamento “carece de justificativa científica e é eticamente inaceitável”. “Existem grupos que dizem que a orientação sexual pode ser revertida. Mas funcionam ao arrepio da resolução. No momento em que parte da resolução cair, não haverá obstáculos éticos e técnicos para o avanço dessas terapias e das propostas de cura da homossexualidade.”
Para Gustavo Bernardes, coordenador-geral de Promoção dos Direitos da População LGBT, da Secretaria de Direitos Humanos, a supressão de trechos da resolução “abre espaço para a volta de uma questão que já está superada há muito tempo”, que seria o tratamento da homossexualidade como doença.
Bernardes questionou o que chama de “intromissão” do Legislativo “numa questão que é de competência do CFP” e disse discordar do argumento de Campos de que a resolução restringe a ação de psicólogos e o direito do paciente de receber orientação profissional. “Apoiamos um trabalho por parte do profissional de psicologia para que a pessoa aceite sua orientação sexual e a identidade de gênero e evite complicações, como os sofrimentos psíquicos”. Procurados, Feliciano e Campos não se manifestaram.

Segue abaixo, a resolução 001/1999.

Resolução CFP Nº 001/1999, de 22 de março de 1999.



Ementa: estabelece normas de atuação para os psicólogos
em relação à questão da Orientação Sexual.
Conselho Federal de Psicologia, no uso de suas atribuições legais e regimentais, Considerando que o psicólogo é um profissional da saúde;
Considerando que na prática profissional, independentemente da área em que esteja atuando, o psicólogo é freqüentemente interpelado por questões ligadas à sexualidade;
Considerando que a forma como cada um vive sua sexualidade faz parte da identidade do sujeito, a qual deve ser compreendida na sua totalidade;
Considerando que a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão;
Considerando que há, na sociedade, uma inquietação em torno de práticas sexuais desviantes da norma estabelecida sócio-culturalmente;
Considerando que o Psicólogo pode e deve contribuir com seu conhecimento para o esclarecimento sobre as questões da sexualidade, permitindo a superação de preconceitos e discriminações;
Resolve:
Art. 1º Os psicólogos atuarão segundo os princípios éticos da profissão notadamente aqueles que disciplinam a não-discriminação e a promoção e bem-estar das pessoas e da humanidade.
Art. 2º Os psicólogos deverão contribuir, com seu conhecimento, para uma reflexão sobre o preconceito e o desaparecimento de discriminações e estigmatizações contra aqueles comportamentos ou práticas homoeróticas.
Art.3º Os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados. 

Parágrafo Único - 
Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades.
Art. 4º Os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.
Art. 5º Esta Resolução entre em vigor na data de sua publicação.
Art. 6º Revogam-se todas as disposições em contrário.

terça-feira, 30 de abril de 2013

18 de Maio: Dia Nacional da Luta Antimanicomial - Tema da campanha deste ano é "Se não nos deixam sonhar, não os deixaremos dormir".


O Dia Nacional da Luta Antimanicomial, comemorado em 18 de maio, representa a reivindicação antiga de profissionais da Psicologia, familiares e militantes que defendem mudanças no modelo de atenção à saúde mental no Brasil. Este ano, o tema da campanha é “Se não nos deixam sonhar, não os deixaremos dormir”.
Para o Conselho Federal de Psicologia (CFP), é necessário reafirmar os valores e princípios da Reforma Psiquiátrica Brasileira no que diz respeito aos ideais de ampliação da esfera pública e de transformação social que motivaram essa importante conquista da sociedade brasileira.
Infelizmente, as políticas de saúde mental no Brasil estão sendo ameaçadas por projetos de lei que prevêem o retorno de um modelo de intervenção amplamente criticado por profissionais, pesquisadores e movimentos sociais, que, além de excluir, desumaniza.
Para a conselheira federal Heloisa Massanaro, é necessário reafirmar a liberdade como direito. “O tema deste ano é muito significativo, pois reafirma o nosso sonho de liberdade e aquele que não respeitar será incomodado. É um grito de guerra, de luta e de cidadania”, destacou.
O CFP defende a Política Nacional de Saúde Mental amparada pela Lei nº 10.216 que garante o acesso aos usuários com transtornos mentais aos serviços disponíveis na rede pública de saúde mental. E se posiciona contra a decisão do governo em adotar a internação compulsória como principal dispositivo de tratamento aos usuários de álcool e outras drogas em instituições fechadas de caráter privado e religioso, como, por exemplo, as comunidades terapêuticas.
Além disso, o CFP valoriza a construção histórica dentro do SUS de experiência efetivas de cuidado através da rede pública que estão sendo negligenciadas em função de interesses privados.
Dia de luta
O Dia Nacional da Luta Antimanicomial foi instituído após profissionais da saúde mental, cansados do tratamento desumano e cruel dado a usuários do sistema de saúde mental, organizarem o primeiro manifesto público a favor da extinção dos manicômios durante o II Congresso Nacional de Trabalhadores da Saúde Mental realizado em 1987, na cidade de Bauru/SP.  Naquela manifestação, nasceu o Movimento Antimanicomial.

Fonte: CRP

domingo, 28 de abril de 2013

A PSICOLOGIA E A “CURA” DA HOMOSSEXUALIDADE



Autor: Anselmo de Lima Chaves
Psicólogo membro do GT de Combate à Homofobia no CRP 03 - BA 


Quando o psicólogo recebe alguém que, dizendo buscar a “cura” da homossexualidade, afirma sofrer ou sentir muita angústia com o desejo por outras pessoas do mesmo sexo, ele não poderá, em sua prática, partir do pressuposto de que o desejo pelo mesmo sexo é, em si, algo doloroso ou angustiante, e muito menos uma doença da qual se pode obter uma cura – do contrário estará assumindo um preconceito, no sentido explícito do termo: conceito prévio, sem qualquer reflexão sobre ele. Um psicólogo que parte de preconceitos, a rigor, pratica, se nos é permitido assim nos expressarmos, uma pré-psicologia. Nesse sentido, é imperativo profissional que ele deve, antes de tudo, refletir sobre a demanda de cura do desejo homossexual perguntando ao outro o que há de tão doloroso e angustiante em desejar outra pessoa do mesmo sexo, já que é possível encontrar, em outros lugares e em outros tempos, outras pessoas com o mesmo desejo, mas sem qualquer dor ou angústia por isso - e sem qualquer sentimento de terem alguma doença.
 
Assim, se um psicólogo não pergunta pelo motivo ou razão do sujeito e, abrindo sua “gaveta de ferramentas”, vai prontamente aplicando suas “técnicas psicológicas”, ele está oferecendo um serviço de maneira cega, reduzindo a sua prática a um ato predominantemente técnico, não-reflexivo, como se trabalhasse num universo puramente natural, biológico ou mecânico, caracterizado pela necessidade, e que não envolvesse justamente um mundo que abarca um conjunto de elementos sócio-culturais, caracterizado pela arbitrariedade, como são os valores sociais. Para que ele ofereça um serviço com o mínimo de crítica, e, com isso, previna-se de estar, sem o saber ou sem perceber o perigo, a serviço dos valores estabelecidos numa sociedade, deve superar a teologia e a metafísica partindo da lúcida consideração de que não existem valores e normas eternos, desde sempre criados, para além da realidade humana, e, sim, valores e normas inventados, construídos num determinado espaço e num determinado tempo a partir da relação de determinados poderes condicionados socialmente.
 
À medida que escuta, o psicólogo pode identificar quais são os elementos sócio-culturais em jogo e oferecer os conhecimentos que dispõe sobre eles, de modo a possibilitar uma reflexão da pessoa sobre a sua própria demanda. Para que, de fato, realize aquilo que é, de direito, sua competência, de modo que venha a, realmente, cuidar do outro, ele não pode, assim, dispensar todos os importantes e probos conhecimentos fornecidos pelas chamadas ciências humanas, seja a história, a sociologia e a antropologia, entre outras - e muito menos a filosofia, que o educa na reflexão rigorosa e moderação cautelosa, além da arte, que lhe desenvolve a capacidade de assimilar e transformar todas as suas experiências e conhecimentos adquiridos em uma unidade criativa e revigorante. Isso exige que o psicólogo esteja livre de preconceitos, ou seja, de conceitos pré-concebidos ou irrefletidos, desvinculado de qualquer dogmatismo e, principalmente, de qualquer obscurantismo religioso – do contrário, seu título de psicólogo não será mais que um disfarce para encobrir que, no fundo, não busca o cuidado da vida psíquica de quem o procura por ajuda, mas, em nome do Bem, do Ser, da Verdade, de Deus ou de algum modelo social hegemônico de normalidade, a correção do outro, cultivando-lhe no terreno de seus desejos por pessoas do mesmo sexo, a erva daninha da má consciência e da culpa, promovendo, assim, ao invés de saúde, doença psíquica - sob a forma, no mínimo, da depressão.
 
A resolução CFP 001/99 de 22 de março não priva a quem queira deixar a homossexualidade da assistência de um psicólogo, mas, “considerando que a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão”, estabelece que os psicólogos, como está no artigo 4º, não devem colaborar “com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades”. O psicólogo deve promover o bem-estar das pessoas, mas isso não quer dizer que, diante de um mal-estar devido à má-consciência de alguém sobre o próprio desejo homoerótico, ele deva ajudar a acabar com o desejo – tal como um dentista, e, talvez, um mau dentista, que acaba com uma dor de dente arrancando-o - mas, sim, com a má-consciência – o que não significa também estabelecer e fixar na pessoa uma identidade homossexual. A resolução não obriga o psicólogo, dessa maneira, a negar assistência a quem procure a “cura” da homossexualidade, mas, como está no artigo 2º, “contribuir, com seu conhecimento, para uma reflexão sobre o preconceito e o desaparecimento de discriminações e estigmatizações contra aqueles que apresentam comportamentos ou práticas homoeróticas” – e inclusive contra a própria pessoa (a chamada “homofobia interna”).
 
Se poderíamos falar de “cura” enquanto resolução de um problema, talvez fosse também adequado, nesse sentido, dizer que, se o psicólogo deve curar alguém ou uma sociedade de algo, esse algo seria o heterossexismo ou heterocentrismo, a crença, sem fundamento científico, de que só a relação heterossexual, entendida como relação entre pessoas de sexos diferentes, é universalmente válida, desejável e aceitável, idéia que gera preconceito, discriminação e intolerância sobre os que seguem práticas sexuais desviantes da norma estabelecida histórico-sócio-culturalmente, e produz, com isso, mal-estar, dor e sofrimento.
 
O psicólogo, assim, em resumo, deve prestar assistência ofertando não um tratamento para a “cura” do desejo por outras pessoas do mesmo sexo, mas, sim, seu conhecimento (científico), de modo a possibilitar uma reflexão da pessoa sobre a sua própria demanda e, então, eliminar não o desejo homoerótico (se isso fosse, de fato, a nível inconsciente, possível), mas a má-consciência sobre esse desejo.
 
No entanto, naquilo que compete à formação do psicólogo, a resolução CFP 01/99, para ser teoricamente garantida, pressupõe que os cursos de psicologia ofereçam, de fato, tal conhecimento, proporcionando discussões e reflexões referentes à diversidade sexual, papéis de gênero e homofobia. Até o momento, não verificamos isso acontecer, pelo menos até onde nossa vista alcança, senão por parte de audazes estudantes que, percebendo essa lacuna na formação, buscam por meios próprios, através da organização de eventos, suscitar o debate e a reflexão no meio acadêmico. A eles e a todo o movimento gay, entre heterossexuais, homossexuais, bissexuais, travestis, lésbicas, transexuais, transversais, indefinidos, inominados e confusos, nosso sincero agradecimento.
 
De todo modo, sugerimos a leitura de alguns livros que podem, pra começo de conversa, possibilitar ao psicólogo que não teve a mínima formação sobre a questão da orientação sexual, a começar a refletir e ajudar, com os conhecimentos neles contido, aquele ou aquela que o procura para a “cura” da homossexualidade - ou que, porventura, venha a procurá-lo nesse sentido -, a refletir, com fundamento científico, que não é anormal desejar o sexo igual:
 
História da Sexualidade, de Michel Foucault (Graal).
Devassos no Paraíso: a Homossexualidade no Brasil, da Colônia à Atualidade, de João Silvério Trevisan (Record)
Homossexualidade: Mitos e Verdades, de Luiz Mott (GGB)
O que é homossexualidade?, de Peter Fry e Edward McRae (Zahar)
Os fundamentos do Sexo Espartano, de Ricardo Líper (RCP)
   Um corpo estranho: ensaio sobre sexualidade e teoria queer, Guacira Lopes Louro (Autêntica)
 

Todo bom começo.... tem um.... professor




A educação brasileira vista hoje como antagonista perpassa por um caminho de difícil conciliação entre realidade e ideal. Propondo uma reflexão para os problemas inerentes a educação, deve-se lembrar que seu processo no patamar público, talvez com o slogan “educação para todos”, se deu entre os anos 70 e 80, pautado nas bases do positivismo ortodoxo. Atualmente, os processos educacionais vêem sendo analisados e revistos em sua completude, visto que, com a ascensão da globalização o país precisa se adaptar ás novas exigências do mercado. A educação ainda é um processo elitizado socialmente, mesmo havendo um incentivo financeiro por parte do Estado, apenas uma parcela daqueles que entrarem nas séries iniciais chegarão ao ensino superior, e o pior, apenas uma parcela desse montante será considerada alfabetizada, enquanto que a outra ficará entre o analfabetismo funcional e o analfabetismo rudimentar. Ora, as políticas públicas visão o alicerce básico para uma educação para todos com uma base conceitual única validada para todo o espaço nacional,  mas a falta de condições de horizontalidade  permitem que o ensino chegue a alguns de forma plena, enquanto que a outros de forma desfocal, consequência esperada: os grandes centros formarão cidadãos enquanto que os periféricos formarão apenas humanos, como diria Neitzche, rebanho. A educação ainda percorre os dogmas aristotélicos de que alguns nasceram para mandar e outros para obedecerAlguns possuem vontade própria e outros dependem da vontade de outros.
Quando pensamos em educação automaticamente ligamos a instituição Escola, que por sua vez nos dá a noção de que essa possui como única função: ensinar a ler e a escrever. Parece ser um processo simples, olhado pelo prisma daquele que consegue ler este texto, mas que em outro ângulo denota incompreensão. As neopolíticas de educação, pautadas no universo capitalista, transferem para a escola a função ilusória de salvação civil, que por sua vez transfere para o aluno a função "autodidata" de aprendizagem, mesmo sem que esse não possua uma estrutura física quanto conceitual para essa façanha, ao contrário da-se algumas "gorjetas" como meio de "incentivo", uma vez que apenas num país subdesenvolvido ser estudante é forma de classificação funcional nos cadastros gerais. Estudar, tornou-se uma obrigação empregatícia, ao qual muitos preferem depender dos fundos do governo, a se desenvolverem e fazer do Estado um dependedor. Essa seria a forma mais completa de pão e circo.
A estagnação do ensino no país é pragmática. O eixo central de uma escola é sem dúvida o professor. Mesmo com a ascensão de politicas de nivelamento nas relações aluno-professor, vê-se uma dependência da parte que necessita (aluno) para aquela que está ali - é o que se espera, ou esperava - , para sanar essa necessidade (professor). Somos seres capitais crentes na teoria da fortuna, e, acreditando nessa teoria de "prosperidade" nos deparamos com um professor se vê a mercê de uma desvalorização capital para as suas funções, um desrespeito pessoal e intelectual. E por sua vez, nos deparamos com alunos sendo produto dessa insatisfação. É uma espécie de efeito dominó, que não há culpados diretos, uma espécie de "quadrilha" sem um único chefe. A educação deixou de ser um problema somente social passando a ser individual. Todos são culpados, até porque, como diria a publicidade política:"Todo bom começo tem um ... professor".

sábado, 6 de abril de 2013

Todas as relações são nossos presentes!


Celebrar a relação é fortalecer os vínculos, renovar os laços e ressignificar o amor, lembrando o quanto é bom repartir a vida com o outro. Todos os dias temos motivos para estar presentes nas nossas relações". 
Essas são as palavras definidas pela empresa Natura para explicar a nova campanha. Uma campanha que vem de encontro as discussões que alvoraçam a população brasileira nos últimos tempos: As Relações.

Uma triste notícia!!

Aos 84 anos de idade, morreu Sigmund Freud, num hospital de Londres, capital do Reino Unido. Acredita-se que o pai da psicanálise tenha falecido devido a uma dose excessiva de morfina, utilizada para amenizar dores na garganta, originadas de um câncer na mandíbula. No fim da vida, um dos maiores gênios do século XX se submeteu a mais de trinta cirurgias, no intuito de eliminar a doença que, na época, não tinha cura ou tratamento eficaz.




Virtude e Felicidade




Entendendo que a sociedade ao longo de seu percurso até a consolidação das condições atuais, se viu muitas vezes coagida e outras onipotente, conseguiu galgar e se consolidar ao que chamamos de sociedade civil, representada pelas cidades, que nada mais são que grupos reunidos em torno de uma constituição universal, calçada por leis, ordens, direitos e deveres para os que ali habitam. O indivíduo possui uma relação direta com os grupos e todo indivíduo passa a maior parte do tempo de sua vida convivendo e interagindo com distintos grupos. As sociedades dependem do funcionamento eficiente dos grupos para proporcionar o equilíbrio psíquico, social e material e espiritual aos seus membros. Em grupo é possível desenvolver habilidades pessoais e interpessoais, através do desempenho de papéis designados pela cultura que o indivíduo esta inserido. Com isso, Freud (1921) corrobora com a idéia de que os “intensos vínculos emocionais que observamos nos grupos, são inteiramente suficientes para explicar uma de suas características: a falta de independência e iniciativa de seus membros, a semelhança nas reações de todos eles, sua redução, por assim dizer, ao nível de indivíduos grupais. Mas, se o considerarmos como um todo, um grupo nos mostra mais que isso”. Esta sustentação freudiana esta pautada nos achados de Trotter que afirma:
“Trotter deriva os fenômenos mentais, descritos como ocorrentes nos grupos, de um instinto gregário (‘gregariousness’, gregarismo) inato aos seres humanos, tal como a outras espécies de animais. Biologicamente, diz ele, esse gregarismo constitui uma analogia à multicelularidade, sendo, por assim dizer, uma continuação dela. (Em termos da teoria da libido, trata-se de uma outra manifestação da tendência proveniente da libido e sentida por todos os seres vivos da mesma espécie, a combinar-se em unidades cada vez mais abrangentes. Se está sozinho, o indivíduo sente-se incompleto. O medo apresentado pelas crianças pequenas já pareceria ser uma expressão desse instinto gregário. A oposição à grei é tão boa quanto a separação dela, sendo assim ansiosamente evitada. Mas a grei se afasta de tudo que é novo ou fora do comum. O instinto gregário pareceria ser algo primário, something which cannot be split up (algo que não pode ser dividido)”. (Freud, 1921, pag. 128)
a filosofia de Aristóteles é conhecida como eudonista, ou seja, ela tem como objetivo a felicidade na vida humana. Para ele, a felicidade é algo absoluto e auto-suficiente, sendo a finalidade última de qualquer ação humana, ela é o mais alto de todos os bens que se pode alcançar pela ação.
 Pois bem, a sociedade civil tem como meta “viver bem”, e para isso utiliza-se de suas instituições para que esse estado de “satisfação” seja alcançado em sua plenitude. A felicidade é algo que irá surgir, assim, quando o homem realizar aquilo para o qual é feito – o fim -, seria a mesma sensação de quando um direito humano fosse respeitado e um dever fosse cumprido, são nessas formas que a razão, uma vez que, o bem do homem é realizar a sua função,e deve ser algo que lhe é próprio. Disso exclui-se sua vida de nutrição e crescimento porque é algo que também está presente nas plantas. Também se exclui a vida de percepções porque esta é comum aos animais.  Resta ao homem uma função que não está presente nas plantas e tampouco nos animais: exercer sua atividade racional.  O exercício desta atividade é, pois, o bem próprio do homem.  O bem é, pois, aquilo a que todas as coisas tendem, ou seja, a sua finalidade.  Desse modo, pode-se inferir que há tantos bens quantos sejam os fins existentes.
Mas o homem somente atinge a felicidade se realizar com excelência a função que lhe é própria. Para isso, ele precisa exercer sua atividade racional em consonância com a virtude.   Além disso, se houverem várias virtudes, ele deve exercer tal atividade em conformidade com a melhor e mais perfeita.  Não bastasse isso, deve sentir prazer em praticar as ações virtuosas.  Assim, a felicidade é uma atividade conforme a virtude perfeita, mas, Aristóteles afirma que há um fim que é perseguido por ele mesmo: o sumo bem. Trata-se de um bem absoluto e incondicional e que deve ser buscado por si mesmo.  Ele representa o final deste encadeamento de fins.   No homem, o conceito de sumo bem é exatamente o mesmo de felicidade: ela é procurada sempre por si mesma e nunca com vistas à outra coisa. 
            As palavras do dramaturgo e poeta Terêncio “Sou um homem: nada do que é humano me é estranho”, corroboram para indicar as coisas que Aristóteles chama de próprios da natureza humana das que estão no âmbito moral ou chamado de virtudes. Para ele as coisas que são da natureza humana se manifestam primeiro como potência para depois tornarem-se ação. As nossas funções biológicas seriam um exemplo.
            Sobre as nossas virtudes, Aristóteles sustenta que nenhum tipo de virtude pode ter sua origem na natureza humana. Tanto a virtude intelectual quanto a virtude moral são desenvolvidas, sendo que a primeira delas desenvolve-se através do ensino e a segunda desenvolve-se através do exercício continuado. Portanto as nossas virtudes necessitam ser adquiridas ao longo de um tempo a partir de um aprender, ora, aprendemos a ser justos, quando mantemos relações com outras pessoas, percebendo como elas agem com os outros ou com nós mesmos. Aristóteles ainda faz distinção entre dois tipos de virtude: a virtude intelectual e a virtude moral.  A primeira é desenvolvida através do ensino experiência e tempo.  A segunda é adquirida pelo hábito e é nesta que repousa o interesse da investigação aristotélica.
Uma virtude moral, jamais pode existir em função de uma natureza humana, assim, o ato de respirar não torna um homem bom e tampouco mau. O ato de respirar é um comportamento natural e, portanto, caracteriza-se como um comportamento necessário.  Não é facultado ao homem escolher entre respirar ou deixar de respirar.  Ele já nasce com mecanismos naturais que o impelem a fazê-lo e ele nada pode fazer para mudar isso. Em contrapartida, um homem virtuoso e bom é aquele que é dotado de virtudes morais, ou seja, um homem virtuoso é aquele que consegue exprimir de forma “correta” seus comportamentos e ações, mesmo que ele necessite renegar socialmente sua verdadeira essência.
            Fica difícil julgar um homem como bom ou mal por comportamentos próprios da sua na natureza humana. Por outro lado, há comportamentos que todo homem pode manifestar ou deixar de fazê-lo.  São comportamentos que não são determinados pela natureza humana e, portanto, não se revestem do caráter de necessidade. Sobre estes comportamentos, o homem é capaz de deliberar e de ter algum tipo de controle. É esta categoria de comportamentos que se encontram no escopo da moral e que caracterizam tanto a virtude moral quanto a sua oposto, o vício. O ato de mentir não é um comportamento imposto pela natureza humana e, portanto, não é um comportamento necessário.  Um homem pode tanto mentir quanto falar a verdade e o que ele fará dependerá de sua própria deliberação.
Por isso para construir o conceito de virtude, Aristóteles divide tudo aquilo que se apresenta à mente humana em três espécies de coisas: paixões, faculdades e disposições. As paixões são todos os sentimentos que podem aflorar em quaisquer homens. As faculdades representam as capacidades que os homens possuem por natureza, inclusive a de sentirem as paixões. Tanto as faculdades quanto as paixões, em si mesmas, são naturais ao homem e, portanto, não podem ser utilizadas como critério para julgá-lo bom ou mau. Restam apenas as disposições e é aqui que reside a virtude moral.  As disposições representam estados de caráter e definem o modo como o homem utiliza suas faculdades e como ele se relaciona com suas próprias paixões. A virtude moral pertence, pois, ao gênero das disposições do homem.
            A virtude é um tipo de mediania porque visa o “meio-termo”. Entretanto, há dois diferentes significados para meio-termo: o meio-termo relativo ao objeto (métron) e o meio-termo relativo ao homem (mesótis). O primeiro significado representa um ponto equidistante entre dois extremos e é um e o mesmo para todos os homens (um exemplo disso é o número seis como meio-termo entre os números dois e dez).  O segundo significado indica somente um ponto variável entre dois extremos e que pode ser diferente para diferentes homens. Resumindo, o equilíbrio é a virtude. Com isso a virtude moral deve ser uma disposição que vise o meio termo no que diz respeito às paixões. Neste contexto, o vício é caracterizado tanto pela insuficiência quanto pelo excesso de qualquer paixão. Por exemplo: o homem que cede a todos os prazeres torna-se intemperante e aquele que evita todos eles torna-se insensível.  Por esse motivo, a virtude reside em sentir as paixões nos momentos certos, relacionando-as aos objetos certos, dirigidas às pessoas certas, pelo motivo certo e do modo correto.
            A busca desse equilíbrio, ou mesmo os excessos, se dão por conta de ações voluntárias. Ora, a dor da paixão é inevitável, porém sofrer com ela é opcional, com isso, Aristóteles faz uma distinção importante entre as ações voluntárias e as involuntárias.   As primeiras são aquelas cujo princípio motor está dentro do próprio sujeito da ação e as segundas são aquelas cujo princípio motor está dentro dele.
Uma ação involuntária nunca deverá ser alvo de louvor e tampouco de censura e, portanto, não caracterizarão a virtude e nem o vício.  Este tipo de ocorre por compulsão ou por ignorância. Este é o caso de uma pessoa que seja levada pela força do vento ou arrebatada por homens mais fortes que ela. Mas, há um conceito que tem muito mais extensão do que o conceito de voluntariedade: trata- se do conceito de escolha.   Segundo Aristóteles, crianças e animais inferiores também realizam ações voluntárias, mas não escolhas.  A cólera e o apetite estão presentes até em criaturas irracionais.
Ninguém escolhe coisas impossíveis, mas pode desejá-las.  A escolha relaciona-se, portanto, a coisas que estão ao alcance do homem e esta distinção é feita pelo uso de sua racionalidade. Assim, pode-se dizer que a escolha é voluntária, mas que nem tudo o que é voluntário resulta de uma escolha. Observe-se que a escolha envolve o uso da racionalidade enquanto uma ação simplesmente voluntária não a exige. Disso infere-se que uma ação só é virtuosa se for realizada voluntariamente e se for resultado de uma deliberação racional. O princípio racional é, pois, fator indispensável para a da virtude.
            Enfim, o marco da doutrina sobre virtudes defendida por Aristóteles, se entrelaça bastante com a sua também obra sobre a felicidade. A felicidade é o objetivo comum de todo ser humano, mas para chegá-la é necessário utilizar de uma atividade racional para escolher o melhor caminho, talvez o não mais fácil, porém, o mais virtuoso. E é somente através de sua racionalidade que o homem pode se tornar virtuoso e realizar o seu fim e, como conseqüência, atingir a felicidade.

Referência:

ARISTÓTELES. Ética e Nicômaco

A virtude e a felicidade em Aristóteles
Autor: Rui Rossi dos Santos

Psicologia de Grupo 
Autor: Freud

terça-feira, 2 de abril de 2013

Dia da conscientização do AUTISMO




No dia 2 de abril, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) chama a atenção de todas (os) as (os) psicólogas (os) para a importância da atenção integral às pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo e suas famílias. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) como Dia Mundial da Conscientização do Autismo em 18 de dezembro de 2007 e, desde então, diversas campanhas “azuis” são feitas pela causa.
O autismo é mais comum do que se pensa: atinge 70 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde. No Brasil, a estimativa é de mais de 2 milhões de autistas, de acordo com a ONU. Por isso a importância de avançar na formação de profissionais de saúde para atuar nesta área, já que no Brasil as ações em torno do tema ainda são pontuais e individualizadas.
A integralidade do cuidado, a garantia da cidadania e a inclusão do tema na Rede de Atenção Psicossocial, com a construção de projetos terapêuticos individuais, são pontos que devem ser amplamente discutidos para garantir uma inserção social cada vez maior das pessoas com autismo.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Comissão de Direitos Humanos elege pastor polêmico como presidente



Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) foi eleito presidente da CDH após uma série de polêmicas

Os deputados da CDH (Comissão de Direitos Humanos e Minorias) da Câmara dos Deputados, elegeram, nesta quinta-feira (7), o pastor Marco Feliciano (PSC-SP) como presidente. Ele teve 11 votos dos colegas e já havia sido indicado por seu partido para presidi-la. Feliciano é acusado de homofobia e racismo, mas nega.
Após ser eleito hoje, Feliciano chegou a dizer que sua mãe é de "matriz africana", apesar de não ter o "matiz de pele" negro.
A eleição do presidente é feita pelos membros da comissão, que, em geral, seguem a indicação partidária. A bancada do PSC, composta por 17 parlamentares, confirmou na terça-feira o nome do pastor para ocupar o cargo. Como vice, a indicação foi para a deputada Antonia Lúcia. 
Até então, o PT da presidente Dilma Rousseff comandava a CDHM, sob a direção do deputado Domingos Dutra (MA), mas o partido preferiu assumir as comissões de Constituição e Justiça e Cidadania; de Seguridade Social e Família e de Relações Exteriores e Defesa Nacional.
A sessão de hoje foi marcada, mais uma vez, por polêmicas e protestos -- o presidente Domingos Dutra chegou a se retirar da sessão, seguido por outros parlamentares, como Jean Wyllys (PSOL-RJ). A deputada Luiza Erundina chegou a dizer que "esta não é mais uma comissão de direitos humanos".
Nesta quarta, a comissão deveria ter realizado a eleição do deputado federal Marcos Feliciano (PSC-SP), mas, devido a bate-boca e tumulto, a sessão foi cancelada e convocada novamente para esta quinta, desta vez, sem a presença de manifestantes e "torcida".

Polêmicas

Desde a semana passada, antes mesmo de ser indicado pelo PSC para o posto, a possibilidade de Feliciano como presidente da CDH gerou protestos de ativistas de direitos humanos, porque o deputado tem um discurso que pode ser considerado polêmico.
Em 2011, ele usou o Twitter para dizer que os descendentes de africanos seriam amaldiçoados. "A maldição que Noé lança sobre seu neto, Canaã, respinga sobre o continente africano, daí a fome, pestes, doenças, guerras étnicas!", escreveu.
Em outra ocasião, o pastor postou na rede social que "a podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam ao ódio, ao crime e à rejeição". No ano passado, o pastor defendeu em debate no plenário os tratamentos de "cura gay".
Ele nega as acusações de racismo e homofobia. Ontem, ele negou ser homofóbico. "Não sou contra os gays, sou contra o ato e o casamento homossexual. Quero o lugar para poder justamente discutir isso. Vai ser debate. Vou ouvir e vou falar", afirmou.
Notícia tirada de: http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2013/03/07/comissao-de-direitos-humanos-elege-pastor-polemico-como-presidente.htm

Comentário do Blog:
"A maldição que Noé lança sobre seu neto, Canaã, respinga sobre o continente africano, daí a fome, pestes, doenças, guerras étnicas!"

"a podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam ao ódio, ao crime e à rejeição".

Parabéns Brasil, por eleger o pastor Marco Feliciano (PSC-SP) para presidente da comissão de Direitos Humanos.... Um homem sensato, com valores morais e civis e acima de tudo "humanamente humano". São pessoas assim que farão do nosso país um "lugar de todos", claro com exceção aos que forem contra Deus, os negros, os homossexuais, as mulheres que não forem submissas, os deficientes, os dependentes químicos, as pessoas que estão com câncer, hepatite, HPV, gripe e todas as outras "pragas deixadas por Deus", por que ele é a "Verdade o Caminho e a Luz", e deve-se ter em algum lugar nas escrituras sagradas as pessoas merecedoras do "Céu".
Parabéns Brasil!!! Fica só uma ideia, porque agora não cria-se uma comissão para começar a separar as pessoas dignas e "puras", ou mesmo a "raça abençoada por Deus", das pessoas "podres", "malditas por Noé". Seria uma boa, assim facilitaríamos os trabalhos do seu Deus!!!!
#Indignação!!!!!


terça-feira, 5 de março de 2013

A razão, desde Freud


Ao inventar a Psicanálise, Freud esbarra em temáticas e tradições filosóficas que ele não inventou. Um conceito moderno de razão não pode ser indiferente à subversão freudiana

"Isso não é nada! Deve ser psicológico!” Quantas vezes frases do tipo não são proferidas ali, onde o discurso médico se depara com seus limites? Buscando tranquilizar o paciente quanto à natureza de seu sofrimento, o médico afirma algo do tipo: “Fique tranquila, você não tem nada. Seu sintoma é psicológico”. Sem se dar conta, o discurso médico, nesses momentos, acaba emprestando ao sintoma o estatuto de mentira, de falsidade.
Esse quadro não era muito diferente na Viena antes de Sigmund Freud (1856-1939). E foi contra esse silenciamento do sintoma que Freud se levantou. A premissa fundamental sobre a qual ele inventou a Psicanálise era justamente a de que um sintoma – fosse ele histérico, obsessivo, fóbico, paranoico –, traduzia algo da ordem da verdade. Mesmo que não houvesse nenhuma base orgânica reconhecível. Mesmo que não houvesse, na disposição do saber, uma figura capaz de acolher a espessura daquele sofrimento.
Esse “nada” ao qual o discurso médico reduzia o sofrimento psíquico foi elevado por Freud ao estatuto de uma verdade do sujeito. Para o inventor da Psicanálise, a inexistência de um substrato orgânico para a doença não queria dizer que o sintoma não fosse real. Mas de que real o sofrimento psíquico nos fala? Qual é o gênero de verdade posto pelo sintoma?
A essa altura, o leitor pode questionar: mas o que tudo isso tem a ver com Filosofia? Por que diabos um filósofo, ocupado com grandes temas acerca da razão e do conhecimento, do agir e dos valores, deveria preocupar- se com questões tão regionais, tão marginais, relativas ao sofrimento psíquico? O interesse filosófico da Psicanálise reside justamente aí. Sem que Freud tivesse procurado, ele esbarra em problemas e tradições externas à racionalidade psicanalítica. Ao construir sua metapsicologia, o arcabouço conceitual da teoria que fundamenta a prática de escuta e tratamento do sofrimento psíquico, Freud acaba formulando uma teoria do sujeito calcada em dois pilares: a estrutura inconsciente da atividade mental e o caráter pulsional da sexualidade humana.
Gilson Iannini é filósofo e pscanalista. Doutor em Filosofia na (USP), mestre em Psicanálise ( Universidade de Paris VIII). Professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Autor de Estilo e Verdade em Jacques Lacan
Assim sendo, ele acaba questionando dois pilares da Filosofia Moderna: a equivalência entre subjetividade e consciência, e o postulado da autonomia da vontade. Ao deixar de caracterizar o sujeito pela transparência dos atos de consciência – desde Descartes, o conhecimento humano seria definido por meio da evidência para a consciência (tudo aquilo que é evidente para mim, na ordem das razões, deve ser verdadeiro na ordem das coisas) –, Freud estaria propondo abandonar o solo seguro da consciência como base da teoria da subjetividade. Além disso, ao mostrar o caráter pulsional da sexualidade, Freud estaria questionando a ideia, tão cara a Kant, de que só podemos ser responsabilizados por nossos atos porquanto agimos fundamentados unicamente na autonomia da vontade.
O conceito de pulsão diz justamente que, no domínio de nossas escolhas sexuais, incluindo aí as escolhas relativas ao nosso próprio ser, os móveis últimos das nossas escolhas não coincidem com o que designamos como “vontade livre”. Ao contrário, somos determinados, ao menos em parte, por fatores contingentes ligados à nossa história singular como sujeitos.
Por tudo isso, Jacques Lacan (1901- 1981) propôs o provocativo sintagma “a razão desde Freud” para indicar que a racionalidade moderna não poderia ser indiferente ao corte representado pela invenção da Psicanálise, como teoria e como dispositivo de uma práxis. Por exemplo, sem que pudesse adivinhar, Freud, ao acolher o sofrimento psíquico como uma verdade discordante em relação ao saber médico, acabou reafirmando uma tese filosófica cara à dialética. Hegel (1770-1831) dizia que verdade e saber são duas ordens separadas, que só coincidiriam no longínquo momento do saber absoluto. Mas, na experiência da consciência, saber e verdade entrariam numa espécie de conflito. A cada passo dado pelo saber, algo da verdade escapa a esta apreensão pelo conceito. Ora, a Psicanálise, diz Lacan, representa um novo sismo nas relações entre saber e verdade.
Mas isso não é tudo. Não apenas algumas ideias centrais da concepção filosófica acerca da subjetividade moderna são postas em xeque pela invenção da Psicanálise. Pois alguém poderia dizer: “Sim, é verdade, mas a estrutura da razão como tal não tem nada a ver como isso!” Mas não é bem assim. Freud, ao tratar do inconsciente, por exemplo, não está dizendo que algumas de nossas ideias são desconhecidas de nós mesmos ou que haveria uma zona escura da nossa mente habitada por fantasmas; que somos, no fundo, animais irracionais. Ao contrário, Freud está afirmando que o inconsciente é estruturado por leis sistemáticas. Que o pensamento, em si mesmo, antes de adquirir a qualidade inconstante da consciência, é inconsciente. Ou seja, ele está postulando que a própria razão não é mais a mesma, se admitirmos as ideias de inconsciente e de pulsão.
Muitas questões importantes se estabelecem desde então: é a Psicanálise uma Ciência? O que a Psicanálise pode nos dizer acerca da Ética e da responsabilidade? Os conceitos psicanalíticos servem apenas para pensar a prática clínica ou eles podem nos auxiliar a repensar a teoria social, as produções estéticas e a experiência religiosa? São questões deste tipo que a coluna que inauguramos hoje pretende abordar.

Disponível em: http://filosofiacienciaevida.uol.com.br/ESFI/Edicoes/73/a-razao-desde-freud-ao-inventar-a-psicanalise-freud-265066-1.asp

sábado, 2 de março de 2013

Thomas Hobbes



“Nenhuma grande filosofia pode ser reduzida à mera expressão do seu tempo, das vicissitudes e contradições da história que lhe é contemporânea. A filosofia política não é exceção, apesar da sua maior proximidade da trama da história e dos conflitos da sociedade.” João Paulo Monteiro

O Absolutismo foi um sistema político que tomou conta da Europa entre os séculos XVI e XVIII, coincidindo com a imposição e criação do Estado Moderno, cujo objetivo era o poder supremo concentrado na mão de um monarca- os reis-, teve como apoio direto a burguesia, que se mostrava interessada em centralizar o poder político e regulamentar a sociedade civil. No final da Idade Média, ocorreu uma grande pressão para que a concentração do poder nas mãos dos reis se tornasse uma realidade. A burguesia comercial contribuiu para que esse processo fosse concretizado com muito sucesso, visto que um governo forte e unificado seria capaz de organizar uma sociedade que se encontrava “desorganizada” economicamente e politicamente. Mas esse apoio dado ao rei era regado à condição de esse rei criar um sistema administrativo eficiente capaz de colocar ordem em todos os aspectos mercantis (pesos e medidas, bem como unificação de moedas e impostos), segurança além da organização social dentro de seus reinos.
Nesse momento o rei detinha praticamente todo o poder em suas mãos. O mais célebre deles foi o francês, Luís XIV chamado de O Rei Sol, que disse: "o Estado sou eu". Ora, os reis nesse momento podiam criar leis sem autorização ou aprovação política da sociedade, tinha total autonomia para criar impostos, taxas e obrigações de acordo com os interesses econômicos pessoais e da família real. Houve alguns reis que tiveram tanto poder que eles chegaram a controlar o clero e as ações da Igreja em sua região.
“O período absolutista é marcado pela figura do soberano, outrora erigida ao status de representante personificado na terra de uma existência superior e divina, o qual se tornam fator necessário à garantia de preservação de bens (propriedade) e direitos individuais, ideais que tiveram seu advento com a burguesia nascente –crepúsculo da Idade Média”. SOUZA & OLIVEIRA, 2009

Na França existia o absolutismo de Direito e de Fato, no qual entendia que o Absolutismo de Direito tinha legitimidade da sua existência, e de o de Fato, exercia realmente o poder. Na Inglaterra havia apenas o Absolutismo de Fato, pois havia uma legislação de 1215 denominada Magna Carta, que dizia que quase todas as decisões tomadas pelo monarca que afetassem a sociedade deveriam passar primeiro pelo Parlamento, ou seja, essa legislação impedia o monarca de se tornar absoluto.
O Absolutismo inglês teve início com a Guerra das Duas Rosas, inicio da Dinastia Tudors (1485) com Henrique VII, quem lançou os alicerces do Absolutismo Inglês enfraquecendo o Parlamento. Henrique VIII governou à revelia do Parlamento e promoveu a Reforma Protestante, fundando em 1534 a Igreja anglicana. A última representante da Dinastia Tudors Elizabeth I, foi quem consolidou o anglicanismo e morreu sem deixar herdeiros, assumindo assim o trono da Inglaterra o então rei da Escócia, Jaime I, dando início à Dinastia Stuarts (1603). Após Jaime I vem Carlos I que tentou reforçar o absolutismo instituindo novos tributos sem a aceitação do parlamento, agravando desta forma a tensão já existente entre parlamento e reinado.
Em 1628, o Parlamento sujeitou o rei ao juramento da Petição dos Direitos, o qual garantia segurança a população a cobrança de impostos ilegais. Feito isso e obtendo a aprovação dos novos impostos, Carlos I dissolve o parlamento e governa o país sozinho, por onze anos. Em 1640, visando a aprovação de fundos para conter uma rebelião na Escócia, Carlos I reconvoca o parlamento, mas, diante da insistência dos deputados em limitar os poderes reais, o rei tentou dissolvê-lo novamente, gerando assim em 1640 a Grande rebelião e em 1642 a Guerra Civil. Que é vencida pelo exército do parlamento  New Model Army de Oliver Cromwell. Cromwell executa Carlos I e instaura na Inglaterra um regime republicano (1649), a República Puritana. No começo esta possuía o apoio do parlamento, mas depois de alguns anos, Cromwell, o dissolve e exercita uma ditadura republicana, até a sua morte em 1658. O filho de Cromwell, Richard, assume o poder, mas perde o apoio dos puritanos e do exército e é obrigado a renunciar. Assim, o Parlamento se reúne e estabelece novamente a monarquia, é a volta dos Stuarts. Carlos II restabelece em 1660 o Absolutismo na Inglaterra. Com isso, o Parlamento se divide em dois partidos, um a favor dos Stuarts e o outro contra.
O Absolutismo inglês só foi importante para atender os interesses da burguesia, que precisava de poder forte para suplantar a nobreza e garantir a expansão comercial e marítima.
Com a morte de Carlos II sobe ao poder Jaime II, que como seu pai era simpatizante do catolicismo. Este continua com a política de restauração do Absolutismo, do parlamento e do poder da Igreja Católica no País, principalmente após o nascimento de seu homem com uma católica. Com isso, os dois partidos que se dividiu o Parlamento, aliam-se e oferecem o trono a Guilherme de Orange, rei protestante, que era casado com Maria II filha de Jaime II. Este movimento foi denominado de Revolução Gloriosa (1688-1689), no qual, Guilherme de Orange invade a Inglaterra e expulsa Jaime II, jurando a Declaração dos Direitos, o qual estabelecia entre outras coisas a superioridade do Parlamento sobre o rei. Substitui-se assim a Monarquia Absolutista pela Monarquia Parlamentar Constitucional.
Thomas Hobbes[1]
            Thomas Hobbes nasceu na Inglaterra no vilarejo de Westport, no  dia 5 de abril de 1588. De origem humilde, filho de religiosos, desde cedo deixa de contar com a ajuda de seus pais e seus estudos passam a ser mantidos por seu tio, que tinha uma vida econômica estável em Malmesbury. Aos sete anos de idade Hobbes já estudava o latim e o grego, toda sua formação inicial foi o alicerce de seus dons literários, mostrando com o passar do tempo, quão importante foi esta sua familiaridade com os clássicos. Estudou em uma escola da igreja e depois em uma escola privada, aos 15 anos foi estudar em Oxford, onde dedicou a maior parte do tempo a ler livros de viagem e a estudar cartas e mapas, e onde se formou em 1608.
Nascido após a reforma anglicana, Thomas Hobbes sofreu forte influência do movimento. O século XVII foi de grande importância para a Inglaterra por marcar o início do Expansionismo Colonialista. É também neste século que são lançadas a base do capitalismo industrial na Inglaterra.
Outro acontecimento na Europa foi à revolta na Boêmia, que na época daria início à Guerra dos Trinta Anos. Este fato reforçou Hobbes para sua própria visão sobre a natureza humana.
Em 1629 o público toma conhecimento de sua tradução da “Guerra do Peloponeso”, de Tucídes, que tinha um caráter literário, mas já mostrava uma antecipação do “Leviatã”, sua principal obra, essa antecipação aparece explicita tanto no prefácio quanto nas frases da tradução. A problemática filosófica de Hobbes, embora já apresentada em seus escritos literários, passa a estruturar-se no momento de seu contato com Francis Bacon, essa aproximação aconteceu quando passou a trabalhar como secretário nos anos de 1621 a 1626.
É importante destacar a situação em que se encontrava a Inglaterra, motivo de preocupação devido aos problemas sociais que seu país passava no momento. Ao retornar a Inglaterra no ano de 1640, ano em que conclui seu tratado “Elementos de Direito Natural e Político”, defendeu o rei Carlos I que era ameaçado por uma revolução liberal. Esse tratado tinha como objetivo fundamentar a ciência da política e da justiça. Exilado em Paris no ano de 1642 publicou outro escrito “Do Cidadão”, neste ano teve inicio a guerra civil na Inglaterra. Thomas Hobbes, neste meio tempo, não deixou de participar das questões políticas e religiosas, com homens da corte inglesa que se encontravam escondidos na França. Com o propósito de retornar à sua pátria escreve o “Leviatã”, um estudo filosófico sobre o absolutismo político que sucedeu a supremacia da Igreja medieval. A obra foi publicada no ano seguinte, 1651, juntando todo o seu pensamento.
 A vida de Hobbes esta unida a monarquia inglesa, cujas intrigas e políticas influenciaram sua existência e pensamento político.  Em uma de suas viagens, Hobbes teve a chance de se encontrar com Galileu e René Descartes, cuja ciência e filosofia o impressionavam que o ajudou a desenvolver sua linha de raciocínio sobre a filosofia social, baseando-se nos princípios da geometria e ciências naturais.
Em sua velhice, Thomas Hobbes escreve sua autobiografia e em 4 de dezembro de 1679, faleceu na cidade de Hardwick aos 91 anos. 





Referências
http://www.mundodosfilosofos.com.br/hobbes.htm acesso em 03 de fevereiro 2013.
http://thomashobbesup.blogspot.com.br/ acesso em 03 de fevereiro de 2013
BATISTA, L.. A CONCEPÇÃO DE LIBERDADE EM THOMAS HOBBES. Frontistés - Revista Eletrônica de Filosofia, América do Norte, 6, out. 2012. Disponível em:http://184.173.252.161/~fapas413/index.php/frontistes/article/view/92/103. Acesso em: 04 Fev. 2013.
DE SOUZA, Sharon Cristine Ferreira; DE OLIVEIRA, Thiago Vieira Mathias. A Filosofia Política de Hobbes eo Estado Absolutista. Revista do Direito Público, v. 4, n. 3, p. 16-36, 2009.
Lopes, Marcos Antônio. "Hobbes e a dessacralização do absolutismo."
EISENBERG, José. O político do medo eo medo da política. Lua Nova, n. 64, p. 49-60, 2005.



[1] Texto retirado do artigo: “A concepção de liberdade em Thomas Hobbes”, com alterações.