A educação brasileira vista hoje como antagonista
perpassa por um caminho de difícil conciliação entre realidade e ideal.
Propondo uma reflexão para os problemas inerentes a educação, deve-se lembrar que
seu processo no patamar público, talvez com o slogan “educação para todos”, se
deu entre os anos 70 e 80, pautado nas bases do positivismo ortodoxo.
Atualmente, os processos educacionais vêem sendo analisados e revistos em sua
completude, visto que, com a ascensão da globalização o país precisa se adaptar
ás novas exigências do mercado. A educação ainda é um processo elitizado socialmente, mesmo havendo um
incentivo financeiro por parte do Estado, apenas uma parcela daqueles que
entrarem nas séries iniciais chegarão ao ensino superior, e o pior, apenas uma
parcela desse montante será considerada alfabetizada, enquanto que a outra
ficará entre o analfabetismo funcional e o analfabetismo rudimentar. Ora, as
políticas públicas visão o alicerce básico para uma educação para todos com uma
base conceitual única validada para todo o espaço nacional, mas a falta
de condições de horizontalidade permitem
que o ensino chegue a alguns de forma plena, enquanto que a outros de forma
desfocal, consequência esperada: os grandes centros formarão cidadãos enquanto
que os periféricos formarão apenas humanos, como diria Neitzche, rebanho. A
educação ainda percorre os dogmas aristotélicos de que alguns nasceram para mandar e outros para obedecer. Alguns possuem vontade própria
e outros dependem da
vontade de outros.
Quando pensamos em educação automaticamente
ligamos a instituição Escola, que por sua vez nos dá a noção de que essa possui
como única função: ensinar a ler e a escrever. Parece ser um processo simples,
olhado pelo prisma daquele que consegue ler este texto, mas que em outro ângulo
denota incompreensão. As neopolíticas de educação, pautadas no universo
capitalista, transferem para a escola a função ilusória de salvação civil, que
por sua vez transfere para o aluno a função "autodidata" de
aprendizagem, mesmo sem que esse não possua uma estrutura física quanto
conceitual para essa façanha, ao contrário da-se algumas "gorjetas"
como meio de "incentivo", uma vez que apenas num país subdesenvolvido
ser estudante é forma de classificação funcional nos cadastros gerais. Estudar,
tornou-se uma obrigação empregatícia, ao qual muitos preferem depender dos
fundos do governo, a se desenvolverem e fazer do Estado um dependedor. Essa
seria a forma mais completa de pão e circo.
A estagnação do ensino
no país é pragmática. O eixo
central de uma escola é sem dúvida o professor. Mesmo com a ascensão de
politicas de nivelamento nas relações aluno-professor, vê-se uma dependência da
parte que necessita (aluno) para aquela que está ali - é o que se espera, ou
esperava - , para sanar essa necessidade (professor). Somos seres capitais
crentes na teoria da fortuna, e, acreditando nessa teoria de
"prosperidade" nos deparamos com um professor se vê a mercê de uma
desvalorização capital para as suas funções, um desrespeito pessoal e
intelectual. E por sua vez, nos deparamos com alunos sendo produto dessa
insatisfação. É uma espécie de efeito dominó, que não há culpados diretos, uma
espécie de "quadrilha" sem um único chefe. A educação deixou de ser
um problema somente social passando a ser individual. Todos são culpados, até
porque, como diria a publicidade política:"Todo bom começo tem um ...
professor".

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