Direitos Reservados - LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998, Citar fontes

sábado, 2 de março de 2013

Thomas Hobbes



“Nenhuma grande filosofia pode ser reduzida à mera expressão do seu tempo, das vicissitudes e contradições da história que lhe é contemporânea. A filosofia política não é exceção, apesar da sua maior proximidade da trama da história e dos conflitos da sociedade.” João Paulo Monteiro

O Absolutismo foi um sistema político que tomou conta da Europa entre os séculos XVI e XVIII, coincidindo com a imposição e criação do Estado Moderno, cujo objetivo era o poder supremo concentrado na mão de um monarca- os reis-, teve como apoio direto a burguesia, que se mostrava interessada em centralizar o poder político e regulamentar a sociedade civil. No final da Idade Média, ocorreu uma grande pressão para que a concentração do poder nas mãos dos reis se tornasse uma realidade. A burguesia comercial contribuiu para que esse processo fosse concretizado com muito sucesso, visto que um governo forte e unificado seria capaz de organizar uma sociedade que se encontrava “desorganizada” economicamente e politicamente. Mas esse apoio dado ao rei era regado à condição de esse rei criar um sistema administrativo eficiente capaz de colocar ordem em todos os aspectos mercantis (pesos e medidas, bem como unificação de moedas e impostos), segurança além da organização social dentro de seus reinos.
Nesse momento o rei detinha praticamente todo o poder em suas mãos. O mais célebre deles foi o francês, Luís XIV chamado de O Rei Sol, que disse: "o Estado sou eu". Ora, os reis nesse momento podiam criar leis sem autorização ou aprovação política da sociedade, tinha total autonomia para criar impostos, taxas e obrigações de acordo com os interesses econômicos pessoais e da família real. Houve alguns reis que tiveram tanto poder que eles chegaram a controlar o clero e as ações da Igreja em sua região.
“O período absolutista é marcado pela figura do soberano, outrora erigida ao status de representante personificado na terra de uma existência superior e divina, o qual se tornam fator necessário à garantia de preservação de bens (propriedade) e direitos individuais, ideais que tiveram seu advento com a burguesia nascente –crepúsculo da Idade Média”. SOUZA & OLIVEIRA, 2009

Na França existia o absolutismo de Direito e de Fato, no qual entendia que o Absolutismo de Direito tinha legitimidade da sua existência, e de o de Fato, exercia realmente o poder. Na Inglaterra havia apenas o Absolutismo de Fato, pois havia uma legislação de 1215 denominada Magna Carta, que dizia que quase todas as decisões tomadas pelo monarca que afetassem a sociedade deveriam passar primeiro pelo Parlamento, ou seja, essa legislação impedia o monarca de se tornar absoluto.
O Absolutismo inglês teve início com a Guerra das Duas Rosas, inicio da Dinastia Tudors (1485) com Henrique VII, quem lançou os alicerces do Absolutismo Inglês enfraquecendo o Parlamento. Henrique VIII governou à revelia do Parlamento e promoveu a Reforma Protestante, fundando em 1534 a Igreja anglicana. A última representante da Dinastia Tudors Elizabeth I, foi quem consolidou o anglicanismo e morreu sem deixar herdeiros, assumindo assim o trono da Inglaterra o então rei da Escócia, Jaime I, dando início à Dinastia Stuarts (1603). Após Jaime I vem Carlos I que tentou reforçar o absolutismo instituindo novos tributos sem a aceitação do parlamento, agravando desta forma a tensão já existente entre parlamento e reinado.
Em 1628, o Parlamento sujeitou o rei ao juramento da Petição dos Direitos, o qual garantia segurança a população a cobrança de impostos ilegais. Feito isso e obtendo a aprovação dos novos impostos, Carlos I dissolve o parlamento e governa o país sozinho, por onze anos. Em 1640, visando a aprovação de fundos para conter uma rebelião na Escócia, Carlos I reconvoca o parlamento, mas, diante da insistência dos deputados em limitar os poderes reais, o rei tentou dissolvê-lo novamente, gerando assim em 1640 a Grande rebelião e em 1642 a Guerra Civil. Que é vencida pelo exército do parlamento  New Model Army de Oliver Cromwell. Cromwell executa Carlos I e instaura na Inglaterra um regime republicano (1649), a República Puritana. No começo esta possuía o apoio do parlamento, mas depois de alguns anos, Cromwell, o dissolve e exercita uma ditadura republicana, até a sua morte em 1658. O filho de Cromwell, Richard, assume o poder, mas perde o apoio dos puritanos e do exército e é obrigado a renunciar. Assim, o Parlamento se reúne e estabelece novamente a monarquia, é a volta dos Stuarts. Carlos II restabelece em 1660 o Absolutismo na Inglaterra. Com isso, o Parlamento se divide em dois partidos, um a favor dos Stuarts e o outro contra.
O Absolutismo inglês só foi importante para atender os interesses da burguesia, que precisava de poder forte para suplantar a nobreza e garantir a expansão comercial e marítima.
Com a morte de Carlos II sobe ao poder Jaime II, que como seu pai era simpatizante do catolicismo. Este continua com a política de restauração do Absolutismo, do parlamento e do poder da Igreja Católica no País, principalmente após o nascimento de seu homem com uma católica. Com isso, os dois partidos que se dividiu o Parlamento, aliam-se e oferecem o trono a Guilherme de Orange, rei protestante, que era casado com Maria II filha de Jaime II. Este movimento foi denominado de Revolução Gloriosa (1688-1689), no qual, Guilherme de Orange invade a Inglaterra e expulsa Jaime II, jurando a Declaração dos Direitos, o qual estabelecia entre outras coisas a superioridade do Parlamento sobre o rei. Substitui-se assim a Monarquia Absolutista pela Monarquia Parlamentar Constitucional.
Thomas Hobbes[1]
            Thomas Hobbes nasceu na Inglaterra no vilarejo de Westport, no  dia 5 de abril de 1588. De origem humilde, filho de religiosos, desde cedo deixa de contar com a ajuda de seus pais e seus estudos passam a ser mantidos por seu tio, que tinha uma vida econômica estável em Malmesbury. Aos sete anos de idade Hobbes já estudava o latim e o grego, toda sua formação inicial foi o alicerce de seus dons literários, mostrando com o passar do tempo, quão importante foi esta sua familiaridade com os clássicos. Estudou em uma escola da igreja e depois em uma escola privada, aos 15 anos foi estudar em Oxford, onde dedicou a maior parte do tempo a ler livros de viagem e a estudar cartas e mapas, e onde se formou em 1608.
Nascido após a reforma anglicana, Thomas Hobbes sofreu forte influência do movimento. O século XVII foi de grande importância para a Inglaterra por marcar o início do Expansionismo Colonialista. É também neste século que são lançadas a base do capitalismo industrial na Inglaterra.
Outro acontecimento na Europa foi à revolta na Boêmia, que na época daria início à Guerra dos Trinta Anos. Este fato reforçou Hobbes para sua própria visão sobre a natureza humana.
Em 1629 o público toma conhecimento de sua tradução da “Guerra do Peloponeso”, de Tucídes, que tinha um caráter literário, mas já mostrava uma antecipação do “Leviatã”, sua principal obra, essa antecipação aparece explicita tanto no prefácio quanto nas frases da tradução. A problemática filosófica de Hobbes, embora já apresentada em seus escritos literários, passa a estruturar-se no momento de seu contato com Francis Bacon, essa aproximação aconteceu quando passou a trabalhar como secretário nos anos de 1621 a 1626.
É importante destacar a situação em que se encontrava a Inglaterra, motivo de preocupação devido aos problemas sociais que seu país passava no momento. Ao retornar a Inglaterra no ano de 1640, ano em que conclui seu tratado “Elementos de Direito Natural e Político”, defendeu o rei Carlos I que era ameaçado por uma revolução liberal. Esse tratado tinha como objetivo fundamentar a ciência da política e da justiça. Exilado em Paris no ano de 1642 publicou outro escrito “Do Cidadão”, neste ano teve inicio a guerra civil na Inglaterra. Thomas Hobbes, neste meio tempo, não deixou de participar das questões políticas e religiosas, com homens da corte inglesa que se encontravam escondidos na França. Com o propósito de retornar à sua pátria escreve o “Leviatã”, um estudo filosófico sobre o absolutismo político que sucedeu a supremacia da Igreja medieval. A obra foi publicada no ano seguinte, 1651, juntando todo o seu pensamento.
 A vida de Hobbes esta unida a monarquia inglesa, cujas intrigas e políticas influenciaram sua existência e pensamento político.  Em uma de suas viagens, Hobbes teve a chance de se encontrar com Galileu e René Descartes, cuja ciência e filosofia o impressionavam que o ajudou a desenvolver sua linha de raciocínio sobre a filosofia social, baseando-se nos princípios da geometria e ciências naturais.
Em sua velhice, Thomas Hobbes escreve sua autobiografia e em 4 de dezembro de 1679, faleceu na cidade de Hardwick aos 91 anos. 





Referências
http://www.mundodosfilosofos.com.br/hobbes.htm acesso em 03 de fevereiro 2013.
http://thomashobbesup.blogspot.com.br/ acesso em 03 de fevereiro de 2013
BATISTA, L.. A CONCEPÇÃO DE LIBERDADE EM THOMAS HOBBES. Frontistés - Revista Eletrônica de Filosofia, América do Norte, 6, out. 2012. Disponível em:http://184.173.252.161/~fapas413/index.php/frontistes/article/view/92/103. Acesso em: 04 Fev. 2013.
DE SOUZA, Sharon Cristine Ferreira; DE OLIVEIRA, Thiago Vieira Mathias. A Filosofia Política de Hobbes eo Estado Absolutista. Revista do Direito Público, v. 4, n. 3, p. 16-36, 2009.
Lopes, Marcos Antônio. "Hobbes e a dessacralização do absolutismo."
EISENBERG, José. O político do medo eo medo da política. Lua Nova, n. 64, p. 49-60, 2005.



[1] Texto retirado do artigo: “A concepção de liberdade em Thomas Hobbes”, com alterações.

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