Direitos Reservados - LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998, Citar fontes

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O Mundo esta ficando mais velho!!!




O mundo esta ficando velho, o Relatório sobre a Situação da População Mundial de 2011 apresentado pelo Fundo de População das Nações Unidas – (UNFPA, sigla em inglês) – o mundo hoje é habitado por 7 milhões de habitantes e desse número 893 milhões estão na faixa etária acima de 60 anos. No Relatório “População e Envelhecimento: Factos e Números”, emitido na segunda Assembleia sobre o Envelhecimento em 2002 organizado pelas Nações Unidas aponta que a “população de idosos está a crescer a uma taxa anual de 2%, isto é, a um ritmo consideravelmente mais rápido do que o do conjunto da população”, observando um crescimento maior de idosos do que os outros grupos etários pelo menos nos próximos 25 anos. A população idosa esta a envelhecer ainda mais, muitos poderão chegar a 80 anos ou mais, “até 2050, o número de idosos no mundo excederá o de jovens, pela primeira vez na história da humanidade”, aponta o relatório. Da mesma forma, dados da OMS – Organização Mundial de Saúde -, apontam que “em 2009, a expectativa de vida ao nascer no mundo foi de 68 anos, variando de 57 anos, países de baixa renda a 80 anos em países de alta renda, com uma relação de 1,4 entre os dois grupos de renda”[1].
O Brasil esta dentro deste processo de envelhecimento que o mundo passa. Kalache (1987) em seu estudo percebeu que na década de 50 e 60 o número de idosos era menor que o número de jovens, observando nesse período o número maior nas taxas de natalidade e mortalidade e uma diminuição gradual de 30% nas taxas de natalidade entre os anos de 1970 e 1980. A população brasileira no ano de 2011 chegou a 195,2 milhões, como aponta a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD-, nessa pesquisa as pessoas com 60 anos ou mais representam 12,1% da população total.  Dados do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a expectativa de vida dos brasileiros nascidos em 2010 alcançou 73,4, enquanto que em 1960 a expectativa era de apenas de 48 anos, ou seja, um crescimento de 25,4 anos nesses cinquenta anos. A mesma pesquisa aponta que em 2050 a expectativa de vida para os brasileiros seja de 81,2 anos.
Acompanhando o fenômeno de envelhecimento nacional, o poder legislativo pensando em normativas públicas alicerçadas por nossa legislação vigente, cria e é sancionado pelo presidente da república em 1º de outubro de 2003 o Estatuto do Idoso na forma de Lei nº 10.471, firmando assim os direitos invioláveis dos idosos da nação. Em seus 119 artigos, o Estatuto do Idoso contempla todas as áreas legais que a sociedade deve ao idoso. Com essa lei em vigor os idosos ampliam sua proteção jurídica e começam a ganhar maior visibilidade social, “[...] envelhecer nesse país é mais do que sobreviver, é mais do que resistir, é mais do que ficar olhando a porta à espera da visita que não vem. A partir de hoje a dignidade do idoso passa a ser um compromisso civilizatório do povo brasileiro”; afirmou o Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva na cerimônia solene de sancionou a lei.
 “Art. 8o O envelhecimento é um direito personalíssimo e a sua proteção um direito social, nos termos desta Lei e da legislação vigente”. Estatuto do Idoso, 2003
Com tantos números é possível inferir que vida esta em movimento, embora a sociedade moderna não esteja preparada para essa mais nova mudança, vive-se ainda numa doutrina na qual a todo o momento, tudo se modifica e se transforma dando espaço para o “novo”. O “novo” sempre nos fascina, nos intriga e na maioria das vezes nos entusiasma e nos coloca em uma condição de ação para acompanhá-lo e desvendá-lo. Ao contrário disso temos o desprezo, o descuido e a passividade plena perante o “velho”, visto que esse muitas vezes nos causa medo, angústia e ate mesmo descaso. É como se o “velho” fosse aquele brinquedo colorido e todo musical que ganhamos no nosso aniversário de um ano, e que como tempo, junto ao nosso crescimento, perdeu o seu valor mágico e seu lugar de destaque na nossa predileção, dando espaço para outros “novos” brinquedos com mais cores e musicas da moda. Em pleno vapor tecnológico e globalizado, a sociedade contemporânea passa por grandes modificações, nos obrigando a conviver com o “novo” a todo instante, tudo é novo, tudo é novidade, tudo é “colorido e musical”. Em paralelo a essa patifaria mundial nos deparamos com uma população crescente que tenta a seu modo e tempo acompanhar a essa explosão global.
Assim como a infância, adolescência e a idade adulta, o envelhecimento também é uma fase inata do ser humano.  É esperado que todo indivíduo consiga chegar nesta fase – em condições básicas para a completude do ciclo vital -, espera-se do indivíduo que ele desenvolva, Neri 2008 ressalta que o “o organismo é um sistema vivo” e que seu “desenvolvimento é processo que comporta os predicados sequência, ritmo e duração”, portanto:
“O desenvolvimento é a trajetória de mudanças ao longo do tempo, que conduz o organismo à maior organização e à maior hierarquização, por meio das quais as partes ou os sistemas menores são englobados em partes ou sistemas mais abrangentes”. (NERI, 2008 pag 62)
            As ideias sobre o envelhecimento variam de cultura para cultura, Papalia 2006 apresenta que nos países orientais, como no Japão, ser velho é uma marca de status, enquanto que nos países ocidentais a velhice ainda é permeada por estigmas e (pré)conceitos embasados nas teorias e ideologias capitalistas vigentes no mundo contemporâneo, no qual coloca o indivíduo em uma posição “coisificada” materialmente perecível e não em uma condição humanamente limitada, mas infinitamente produtiva mentalmente, culturalmente e socialmente.
 “O questionamento aos estereótipos que se criam em torno do idoso é reiterado por Alda Brito da Motta, ao enfocar o sentimento do corpo e as ambigüidades na coexistência de diferentes visões sobre envelhecimento na sociedade capitalista contemporânea. A reprodução de estigmas e preconceitos quanto à velhice, reforçada pelos saberes constituídos nesse campo e pelos próprios idosos, dá-se em meio a resistências e aberturas a novas expressões, caracterizando uma época de transição de valores funcionalizada também pelo mercado por meio do estímulo a novos nichos de consumo”. (MINAYO, 2002)

            Uma vez que todas as espécies do mundo passam por um processo de transformação no decorrer da vida e cada etapa gera uma transformação física, psíquica e social. No caso da velhice as marcas físicas tornam-se evidentes na medida em que o passar do tempo vai acontecendo. A ideia capitalista conseguiu colocar a velhice em uma posição marginalizada numa escala de produção, no qual o indivíduo é sua totalidade ao passo que produz e contribui diretamente com o sistema, e, como o velho por motivos físicos – na maioria das vezes- fica limitado para produção, o Sistema o coloca em uma condição de perda simbólica, como ressalta Mendes (2004). Dentre as mudanças físicas, Papalia 2006 ressalta mudanças físicas típicas associadas à velhice como:
“ a pele tende a ficar mais pálida e manchada, menos flexível; como algumas gorduras e músculos desaparecem, a pele pode enrugar. Veias varicosas nas pernas tornam-se mais comuns. Os cabelos ficam grisalhos e mais finos, e os pelos corporais tornam-se mais escassos. Mudanças menos visíveis afetam órgãos internos e sistemas corporais, o cérebro e o funcionamento sensório, motor e sexual.” ( PAPALIA, 2002)
            Neri (2008) salienta que o funcionamento biológico possui uma lógica muito ímpar, mas que tende a enfraquecer-se na velhice a fim de aumentar a “probabilidade de sobrevivência”. Portanto idade biológica é o tempo cronológico que resta para a pessoa viver, enquanto que o envelhecimento biológico ou senescência é o processo que resiste, mesmo diminuído, para manter a sobrevivência. Por envelhecimento psicológico pode-se referir a dualidades, de um lado refere-se a questões cognitivas, um segundo significado diz respeito como o indivíduo vê o seu desenvolvimento, ou seja, “senso subjetivo da sua idade”.
            Para nossa cultura capitalista no qual o trabalho é “alma do negócio”, o marco da terceira idade se dá com a aposentadoria, um termo institucionalizado socialmente que possui tanto valor financeiro quanto valor social. O aposentado é aquele  indivíduo que não mais possui trabalho formal, mas lhe é assegurado uma renda ate a sua morte, ao mesmo tempo também que o aposentado é o “atoa” ou mesmo “inválido”. Estar aposentado comumente gera uma crise no indivíduo, como aponta Mendes (2005), a sensação de ser útil, expectativa de competição e auto-estima tende a ser reduzidos. Num primeiro momento a aposentadoria é vista como algo esperado passando subsequente para uma condição de tristeza e sentimento de ausência de papel social.
            Tomando por base Erikson, teremos na terceira idade a oitava e ultima crise do ciclo vital, “integridade do ego versus desespero”, no qual Papalia 2006, sustenta que nessa crise indivíduos mais velhos necessitam “avaliar, resumir e aceitar sua vida para poderem aceitar a aproximação da morte” e que é esperado que a partir dos resultados das outras sete crises passadas, esse individuo consiga obter um senso de coerência e de integridade, em vez de se entregar ao desespero por sua incapacidade natural do final do ciclo. Erikson afirma que o desespero em algum momento deste desenvolvimento é totalmente esperado e inevitável. O individuo se forma a partir do outro, já dizia Lacan. No caso do idoso seu papel social é um fator muito significativo para o seu processo de envelhecimento. Relações com familiares, amigos e sociedade o auxiliam a transitar melhor por essa fase. Há uma falsa crença de que quanto mais idade o individuo possui, mais retraído e deprimido ele se torna.
           

Referências:

PAPALIA, D. E.; OLDS, S. W.. Desenvolvimento Humano. 8º ed., Porto Alegre, Ed. Artmed, 2006.

NERI, A.L. Palavras chaves em gerontologia. 3º Ed.,São Paulo, Ed. Alínea, 2008.

KALACHE, Alexandre. Envelhecimento populacional no Brasil: uma realidade nova.Cad. Saúde Pública,  Rio de Janeiro,  v. 3,  n. 3, Sept.  1987.  Acesso em  28  Nov.  2012. 

LOPES, R. F; Lopes, M. T. F; CAMARA, V. D. Entendendo a solidão do idoso. passo Fundo, v. 6, n. 3, p. 373-381, set./dez. 2009. acesso dia 28 de novembro de 2012 disponível em: http://www.upf.br/seer/index.php/rbceh/article/view/362/818

Solidão na velhice: algumas reflexões a partir da compreensão de um grupo de idosos. Disponível em: www.esp.rs.gov.br/img2/v17n2_19solidaoVelhice.pdf. Acesso em: 26 de novembro de 2012.

TEIXIERA, L. M. F. Solidão e qualidade de vida em idosos: um estudo avaliativo exploratório e implementação – piloto de um programa de intervenção. Mestrado integrado de Psicologia. Universidade de Lisboa. 2012







[1]  Dados disponíveis em: http://www.who.int/gho/mortality_burden_disease/life_tables/situation_trends_text/en/

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